Quando o plano mensal faz sentido
O que o plano mensal resolve, para quem ele serve e quanto vale um cliente que fica.
Conte quantos clientes vieram duas vezes ou mais no último mês. Esse é o seu público de plano.
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Começo do mês, aluguel vencendo, e você não sabe se o mês vai ser bom ou fraco. Depende de quem aparecer. Enquanto isso, tem cliente que senta na sua cadeira a cada 15 dias, há anos, e paga corte por corte.
No plano, o cliente paga um valor fixo todo mês e tem direito a um número de cortes. Para você, é dinheiro certo no começo do mês. Para ele, é economia e a garantia de estar sempre na régua.
Um cliente que corta a cada 15 dias, a R$ 45, paga R$ 90 no mês. No plano de dois cortes por R$ 80, ele economiza R$ 10. E você recebe no começo do mês, antes de ligar a máquina.
Com 25 assinantes, são R$ 2.000 entrando no começo do mês. Num mês fraco, isso já paga o aluguel e boa parte das contas.
E tem um número que mostra por que vale a pena segurar o cliente. Isso tem nome: LTV, o valor do cliente ao longo do tempo. Quem fica um ano no plano de R$ 80 deixa R$ 960. Cada mês a mais que ele fica aumenta esse valor.
Antes de lançar, confira três coisas.
Sem cliente frequente, ninguém vê vantagem no plano.
Plano é um ótimo jeito de levar gente para terça e quarta.
Plano sem cobrança em dia vira fiado com outro nome.
O risco é real. Um plano barato demais ou sem limite lota a cadeira de assinante e tira horário do cliente que paga o avulso. Por isso, antes de vender, faça a conta.
Sua tarefa: olhe a agenda ou o caderno do último mês e conte quantos clientes vieram duas vezes ou mais. Esse é o seu público de plano. Anote o nome de cada um.
Calculadora de plano mensal
Use antes de lançar ou reajustar um plano, e quando um barbeiro parceiro perguntar se é aluguel ou porcentagem. Os números são de exemplo: troque pelos seus.
Passo 1: custo de um corte
- Custo do minuto = (contas fixas + seu pró-labore) ÷ horas cortando no mês ÷ 60.
- Exemplo: R$ 5.400 ÷ 120 horas = R$ 45 por hora = R$ 0,75 por minuto.
- Custo do corte = minutos × custo do minuto + material.
- Degradê de 40 minutos: R$ 30 + R$ 3 = R$ 33.
- Combo corte e barba feito em 60 minutos: R$ 45 + R$ 7 = R$ 52.
Passo 2: teste o plano com quem usa tudo
- Sobra = preço do plano − (usos permitidos × custo de cada uso).
- 2 cortes por R$ 80: 80 − 66 = R$ 14 por assinante.
- 2 combos corte e barba por R$ 130: 130 − 104 = R$ 26 por assinante.
- Ilimitado por R$ 100 com corte toda semana: 100 − 132 = prejuízo de R$ 32.
- Se a sobra der negativa, aumente o preço ou limite os usos.
Passo 3: quantos assinantes cabem
- Decida quanto da agenda pode ir para o plano. Exemplo: no máximo 30%.
- 120 horas cortando × 30% = 36 horas, ou 2.160 minutos.
- Assinante de 2 cortes de 40 minutos usa 80 minutos por mês.
- 2.160 ÷ 80 = 27 assinantes, sem tirar horário do cliente avulso.
Passo 4: regras do plano (copie e envie)
- Plano Corte: 2 cortes por mês, R$ 80.
- Vale de segunda a sábado, com horário marcado. Sábado sujeito a disponibilidade.
- Falta sem avisar com 2 horas de antecedência conta como uso.
- Corte não usado não passa para o mês seguinte.
- Pagamento todo dia 5, por Pix ou cartão. Atrasou, o plano fica pausado até o pagamento.
- Cancelamento a qualquer momento, avisando antes do próximo vencimento.
Passo 5: aluguel de cadeira ou comissão
- Comissão: casa por corte = preço × parte da casa − material. Exemplo: R$ 22,50 − R$ 3 = R$ 19,50.
- Empate = valor do aluguel ÷ casa por corte. Exemplo: R$ 1.200 ÷ R$ 19,50 = uns 62 cortes no mês.
- Abaixo do empate, o aluguel rende mais para a casa. Acima, a comissão.
- Na comissão, combine por escrito: porcentagem por serviço, desconto, produto e dia do pagamento.
- No aluguel, o parceiro compra o próprio material e organiza os próprios clientes.
- Nos dois casos: contrato de parceria por escrito, parceiro com MEI e conversa com um contador antes de assinar.